Dilma
"Em respeito à inteligência dos leitores, e para amenizar os danos à imagem e à honra da ministra Dilma Rousseff, aceitei a proposta do editor deste "Painel do Leitor" para escrever uma nova carta, num espaço exíguo, mas sob o compromisso de publicação na íntegra.
Segundo seu editor, o "Painel do Leitor" só publica cartas inéditas, e a que enviei, ainda no domingo, mas não publicada na edição de segunda-feira, como seria de esperar de um jornal sério, já repercutiu reproduzida em outros veículos de imprensa, cuja leitura recomendo.
Para os leitores que tiverem interesse, dou três endereços: www.paulohenriqueamorim.com.br, http://colunistas.ig.com.br/luisnassif e www.zedirceu.com.br. Sob o título geral "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto" (Brasil, 5/4), a Folha utilizou-se de uma entrevista por telefone a uma jovem repórter. Lamento que o maior jornal brasileiro use a fonoportagem, o lamentável e preguiçoso vício da "investigação" por telefone.
Segundo os editores, o sequestro de Delfim Netto em 1969 "chegou a ter data e local definidos". A que hora e em que local, então, ocorreria? A Folha não informa. O mais grave: acusa a ministra pela ação, lançando uma sórdida anticampanha contra a sua virtual candidatura a presidente. É possível que Dilma, pelas suas tarefas na organização, sequer tenha sido informada sobre o levantamento realizado. Entretanto, a edição oportunista transformou um não fato do passado (o sequestro que não houve) num factoide do presente (o início de uma sórdida campanha), que vai desacreditar ainda mais o jornal da "ditabranda".
Esclareço que Dilma pertencia, sim, à VAR-Palmares, e era uma militante séria, corajosa e humana, mas que era uma militante somente com ação política, ou seja, sem envolvimento em empreendimentos armados. E digo isso com a autoridade de quem era o responsável pelo setor militar da organização, assumindo a responsabilidade política e moral pelas iniciativas da VAR-Palmares.
Por isso, desafio a Folha a esclarecer todos os pontos nebulosos da reportagem de domingo e a publicar a íntegra da entrevista, de mais de três horas, para que os leitores a comparem com a imundície publicada, que constitui um dos momentos mais tristes da liberdade de imprensa e uma vergonha para a imprensa brasileira."
ANTONIO ROBERTO ESPINOSA, jornalista, doutorando em ciência política pela USP (São Paulo, SP)
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